21 dezembro 2009

VISÃO DE VIDA

HELCI R. PEREIRA (*)
helcip@uol.com.br

A vida pode ser encarada por muitos prismas, mas, em resumo, por dois: A exclusão de Deus, pela absorção da carne e da matéria, ou Deus em primeiro lugar, em primeira plana sobre todas as coisas.
Nossa felicidade ou infelicidade depende grandemente da visão que tivermos da vida. Se norteados pela visão puramente materialista, seremos infelizes porque a perspectiva é falsa ainda que atraente como as miragens no deserto; se, porém, inspirados e animados pela visão de Deus como Supremo em tudo e em todos, seremos felizes, em que pesem circunstâncias contrárias, e sábios, porque, de certo, receberemos o auxílio e a luz daquele que é o princípio e o fim de todas as coisas - Deus - alfa e ômega.
São Paulo, o grande Apóstolo da Igreja Primitiva, exemplifica a visão perfeita da vida, ao afirmar, em sua Segunda Carta aos Coríntios: "Não atentamos nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem, pois as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas" (4. 18).
Noutras palavras, estava a ensinar o grande iluminado que não faz bem olhar a vida pelo prisma materialista e utilitarista dos sentidos, tão somente, mas, também, e sobretudo, pelo espiritual.
Quais seriam os efeitos de uma Visão da Vida como a que norteara o respeitável apóstolo? Quais os resultados? Vejamos.

A visão perfeita da vida elimina o desânimo. São Paulo escrevia: "Por isso não desfalecemos". Leia-se no grego original: "Não desmaiamos".
A vida terrena do homem é cheia de motivos de desânimo. Em nossa trajectória há inevitáveis altos e baixos, sombras e luz, gozo e tristeza. Milhares e milhões têm sucumbido ao peso dos cuidados e das desventuras da existência. E não só os pobres e incultos se desesperam, desfalecem, desmaiam. Também os ricos e letrados, os gozadores do mundo têm tristezas a carpir e têm produzido as maiores tragédias.
No fundo, no fundo, a razão de tudo isso é, de uma forma ou de outra, a perspectiva falsa que as pessoas têm da vida.
O verdadeiro cristão, posto que sujeito às mesas intempéries, açoitados pelas mesmas tempestades, não desanima, não desespera. É que vê a Deus, através da fé, guiando sua caminhada, mesmo nos trechos mais escuros e perigosos da jornada.
Deus é Supremo para aquele que nele crê. Por isso que o crente não perde a esperança, porque sabe que, no fim, tudo dará certo, pois Deus é Providência e fará tudo convergir para o seu bem, para sua felicidade. Então, no meio da borrasca, quando tudo parece estar perdido, ele diz com fé e certeza:

"O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam..." (Salmo 23.1-4).

Há muitos anos, um pequeno navio singrava as águas de um dos mares da Europa, numa época de intenso frio. Um nevoeiro denso cobria a embarcação. Ninguém enxergava nada, mesmo a pequena distância. Mas o barco não diminuíra a sua velocidade. Continuava navegando triunfante, indiferente ao tempo. Os passageiros, levados pelo medo de um possível desastre, enviaram uma comissão para falar com o comandante, solicitando-lhe que ordenasse a diminuição da velocidade. Um oficial conduziu os homens da comissão até em cima onde estava o piloto, e, estendendo vitoriosamente a mão, lhes falou: "Vedes que a falta de visibilidade é somente lá em baixo. Aqui em cima nós vemos tudo!"

De cima se vê melhor. Os problemas da vida são melhor encarados quando vistos espiritualmente, pelo olhos da fé.

(*) é pastor presbiteriano
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