08 fevereiro 2010

“ATIRE A PEDRA AQUELE QUE JUSTO PENSA SER”

Helci R. Pereira(*) – helcip@uol.com.br

Ela foi flagrada no ato do adultério.
De manhã cedo, na praia, ouvia a Jesus a multidão.
Outra multidão chega, trazendo, assustada,

Atemorizada, a mulher sob forte reverbério.

Jogam-na aos pés do Senhor, exigindo sumária punição.

Seres humanos maus, péssimos, horríveis:
Multidão, querendo divertir-se às custas da pobre mulher;
Escribas e fariseus, querendo ver Jesus num beco sem saída.
Tivesse Jesus concordado com a sumária execução,

Teria sido o seu ministério de amor considerado uma farsa, então.
Tivesse determinado da mulher o imediato perdão,
Seria, então, considerado da mosaica lei um infrator.
A multidão, vociferante e acusadora, representa o ser humano,
Propenso a extravasar suas frustrações e infelicidades
Sobre pessoas que nada têm a ver com os sofrimentos seus.
O Senhor não teve pressa.

Escrevendo na areia, esperou alguns minutos,
Enquanto a multidão, com pedras armada,
Dele exigia coerente e segura posição:

Um pronunciamento, uma sentença ou decisão.

Levantou-se o Mestre e disse o que ninguém imaginava.
Ele não disse "sim" e também não disse "não".
Deu, contudo, resposta dura, eficaz e penetrante:
Aquele que justo pensa ser, faça justiça com as próprias mãos.

A pouco e pouco, a multidão se dispersou sem pedras atirar.
Foram todos p’ra casa, acusados pela própria consciência,
Com grande lição para, por muito tempo, meditar
Na fraqueza do humano ser, em sua essência.
Jesus não disse aos acusadores daquela mulher:

"Quem não é adúltero pode a primeira pedra atirar!”,

Pois daria, com muita certeza a entender que
Os que não eram adúlteros estavam livres para a condenar.
A exigência, o requisito, a habilitação exigida por Jesus
Para que alguém pudesse à prostituta condenar
Seria uma condição intransponível: não pecar.
Muitas vezes, cremos poder atirar pedras nas pessoas
Que cometem os pecados que nós não cometemos.
Ou seja, que podemos condenar:
Os adúlteros porque não cometemos adultério,
Os ladrões, simplesmente, porque não roubamos ...

Olhamos para os pecados dos outros
E melhores do que eles nos julgamos.
Quando condenamos, com certeza melhores nos achamos.

Dezembro/2009

(*) É pastor presbiteriano
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