23 fevereiro 2010

CULPANDO OS OUTROS

HELCI R. PEREIRA(*)
helcip@uol.com.br

Várias são as tendências naturais que integram o comportamento humano. Como exemplo temos: Aquisição de propriedade, conservação da vida, superioridade, etc.
Tendência muito comum do ser humano sempre foi a evasão à responsabilidade, o desculpar-se, a transferência de culpas pessoais para outras pessoas. Isso nos faz lembrar duas referências que encontramos na História Sagrada a esse respeito.
A primeira é-nos contada no Livro de Gênesis, na parte que trata da desobediência do homem ao seu Criador. Quando chamada a sua atenção para sua grave falta, quando Deus lhe perguntou: "Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?" Ele respondeu: "A mulher que tu me deste por esposa, ela me deu da árvore e eu comi". Disse o Senhor à mulher: "Por que fizeste isto?" E ela respondeu: "A serpente me enganou, e eu comi".
Observe-se que o homem culpou a mulher, e até o próprio Deus, que lhe dera a esposa; e a mulher lançou a culpa na serpente
A outra referência vamos encontrar num episódio relatado por Moisés relativo ao povo de Israel. Moisés subira ao monte Sinai e lá se demorara muito tempo, orando ao Senhor. O povo ficara na planície. Vendo o povo que Moisés tardava em descer, acercou-se de Arão, assessor de Moisés, e lhe disse: "Levanta-te, faze-nos deuses (ídolos) que vão adiante de nós". Então, o povo juntou as argolas de ouro das orelhas de todos que as usavam e trouxe a Arão. Com esse material Arão produziu um Bezerro de Ouro fundido. E o povo adorou o bezerro de ouro.
Quando Moisés desceu do monte e se aproximou do arraial, viu o bezerro de ouro e as festas que as faziam. Revoltado, perguntou a Arão: Que é isso? E Arão lhe respondeu: "Não se acenda a ira do meu Senhor; tu sabes que este povo é propenso para o mal. Pois me disseram: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe terá acontecido. Então, eu lhes disse: Quem tem ouro, tire-o. Deram-mo; e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro".
Lendo, com calma o relato acima, verifica-se que Arão, ao final, eximiu-se totalmente da culpa e a jogou no povo, em Moisés e até no fogo.
A mentalidade de Adão, de Eva e de Arão acham-se muito vivas no mundo atual. Estamos sempre culpando os outros. Nunca a culpa é nossa. É sempre de alguém, de alguma coisa. Na questão dos altos preços, o comerciante joga a culpa nos atacadistas, o atacadista na fábrica, a fábrica no operário, etc. etc.,
Na escola, no que se refere à deficiência na aprendizagem, para o aluno a culpa é do professor, para o professor a culpa é do estudante.
No recesso do lar, quando há problemas, a mulher acha que a culpa é do marido, o marido acha que é da esposa ou dos filhos.
Com relação aos problemas nacionais, à crise que atravessamos, o governo culpa os governos anteriores ou o Congresso, por sua deficiência ou por seu desinteresse em votar de pronto as leis necessárias, os projetos governamentais. E assim por diante. A culpa é sempre do outro. Nunca se está disposto a confessar "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa". Por que?

(*) é Pastor Presbiteriano
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