18 setembro 2013

Todos temos o direito de debater o contraditório


Todos temos o direito de debater o contraditório.
E além disso, tolerância é um dos ensinamentos de Cristo.

Em Lucas 9.46-55, Jesus nos mostra como viver entre os que não tem os mesmos ideais que os nossos:

"Começou uma discussão entre os discípulos acerca de qual deles seria o maior.
Jesus, conhecendo os seus pensamentos, tomou uma criança e a colocou em pé, a seu lado. Então lhes disse:
-- Quem recebe esta criança em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre vocês for o menor, este será o maior".
Disse João:
-- Mestre, vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos.
-- Não o impeçam" -- disse Jesus, -- pois quem não é contra vocês é a favor de vocês.
Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém. E enviou mensageiros à sua frente. Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava que ele se dirigia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram:
-- Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los?
Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo:
-- Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los.
E foram para outro povoado."

Temos aí alguns casos de intolerância:

1) Os discípulos de Jesus tinham dificuldades em conviver com o sucesso, imaginário no caso, do outro. A disputa deles tem a ver com a incapacidade de se respeitar o outro e em se admirar o outro e de se entender que cada um tem um lugar no Reino de Deus, em função de suas habilidades e em função da necessidade do Reino.
2) Os samaritanos odiavam os judeus porque estes cultuavam em Jerusalém; eles detestavam o sectarismo judeu. Por esta razão, não cooperaram, como mandava a hospitalidade, com os discípulos de Jesus que recolhiam donativos para a viagem. A sua intolerância os cegou para ver o Messias.
3) Os judeus odiavam os samaritanos porque eles, no passado, tinham se envolvido em casamentos mistos (com não judeus) e agora não podiam ser aceitos na comunidade dos filhos de Abraão.
4) Os discípulos se tornaram escravos deste mesmo sentimento. A sua intolerância os levou a agir contra suas próprias convicções espirituais. Eles eram crentes, o que prova que mesmo os mais crentes, como Pedro, Tiago e João, os mais íntimos de Jesus, podem se tornar intolerantes, violentamente intolerantes.

Tolerar não é aceitar o pecado. O apóstolo Paulo não pode ser tachado de intolerante porque se recusou a tolerar a imoralidade sexual na igreja de Corinto, onde havia imoralidade que não ocorre nem entre os pagãos. Ele recomenda que os cristãos não deviam se associar-se [participar do seu estilo de vida] com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer (1Coríntios 5.1,11,12). Mesmo no caso de Alexandre, o latoeiro, cuja expulsão foi recomendada por Paulo, o apóstolo via nesta disciplina a maneira que levar Alexandre ao arrependimento (1Coríntios 5.2,5,13).

O que faremos então?

1. Não façamos do conhecimento da verdade um escudo para esconder nosso pecado (Lucas 9.46-47);
2. Aprendamos com as crianças que brincam com aquelas que lhe são diferentes, porque lhes importam viver e deixar viver (v. 48);
3. Peçamos a Deus a capacidade de conviver com o outro, fora e dentro de nossas igrejas, mesmo que pensem diferentemente de nós (v. 49-54);
4. Lembremo-nos de que espírito somos (v. 55); e,
5. Evitemos controvérsias inúteis (v. 56).

Os discípulos aprenderam a tolerar.
Deixaram os samaritanos ali, naquela hora. Mais tarde, os samaritanos seriam evangelizados pelo missionário Felipe, um dos sete líderes da igreja que nascia (Atos 8.5-13).

Márcio Melânia
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